CRF-SP alerta: Composto homeopático não substitui vacina contra febre amarela.

Em função do crescente aumento dos casos de febre amarela em diversos estados brasileiros, incluindo São Paulo, o CRF-SP esclarece que a vacinação é a medida comprovadamente eficaz para prevenção da doença. Qualquer outro medicamento, incluindo compostos homeopáticos, não substituem a vacina oficial. Seu uso em substituição a vacina oficial pode implicar em riscos à saúde.

Todas as pessoas que residem em áreas consideradas de risco ou que vão viajar para essas localidades devem seguir as recomendações do Ministério da Saúde quanto ao uso da vacina tradicional. E somente devem procurar locais licenciados pelas autoridades sanitárias, como postos de saúde e clínicas da família, para se vacinar.

O CRF-SP faz um alerta em conjunto com a Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas (ABFH), que divulgou informativos sobre o tema: a vacinação contra a febre amarela não deve ser substituída pelo composto isoterápico de vacina de febre amarela, pois não há comprovação científica de que este medicamento homeopático possa substituir a vacina tradicional.

A farmacêutica Dra. Márcia de Cássia Silva Borges, coordenadora da Comissão Assessora de Homeopatia do CRF-SP, ressalta que o medicamento homeopático isoterápico produzido a partir da vacina de febre amarela não substitui a vacina tradicional e “lembra que as pessoas que apresentam restrições a essa vacina devem procurar o médico ou o farmacêutico para receber a informação correta”.

Os grupos de risco nos quais o vírus atenuado pode gerar efeitos colaterais ou não ser eficaz são as e lactantes de bebês até 6 meses; bebês de até seis meses (entre 6 e 9 meses, só após avaliação médica); idosos; pessoas com doenças que reduzem a imunidade como Aids, câncer, anemia, lúpus e diabetes descontrolada; quem toma medicamentos imunossupressores como transplantados portadores de doenças autoimunes e câncer; e os que têm alergia a ovo (já que o vírus da vacina tradicional é cultivado em clara).

Sintomas e transmissão

A febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores (mosquitos). Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.

A doença é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus e também podem ser do gênero Sabethes. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue, zika e chikungunya).

Outra medida importante de prevenção é o uso de repelentes, o que não exclui a importância da vacinação.

 Renata Gonçalez (com informações da ABFH)

Departamento de Comunicação CRF-SP